Esta saudade que todos os dias bate Suavemente no peito de quem não te vê, mas te sente em cada respirar...

 

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Nesta página vai encontrar crónicas, opiniões, textos, poesia dos habitantes do Covão do Lobo.

 

 

 

22.02.08 Crónica :  PORTUGAL.

Esta Saudade que todos os dias bate Suavemente no peito de quem não te vê, mas te sente em cada respirar... ah, Pátria Querida !

Um imigrante vive na luz da esperança, do "tal" regresso , e assim vai ganhando o pão de cada dia, no passar do tempo em surdina vai roendo os dias de aventuras e desventuras pré anunciadas, até que um dia o tempo lhe dite a hora de regressar. (o tempo volta para traz... "bonita canção")

Sempre pensei que um imigrante tinha duas pátrias, mas hoje acho de maneira deferente, o que ele pode ter (tenho, teremos) são sim dois mundos, (aquele que o viu nascer e outro que o vê sonhar) e acaba por não ter nenhum realmente para viver...

Sempre que penso em minha infância vem me a mente Portugal. A minha aldeia, mulheres de cestos a cabeça, o chiar de uma roda de carroça na labuta para o campo, as vacas a irem para ordenha, as poças de aguas onde brincava no caminho da escola, aquele por de sol sempre acompanhado com o ladrar dos cães que corriam (correm) atrás de uma bicicleta " mais um vizinho que esta de regresso a casa no fim de um dia de trabalho, hai! E aquela sombra onde podemos repousar em paz e sentir a sinfonia do vento e abeservar o espectáculo da natureza, ...ah! Portugal ! não existe um dia que não "sinta" o sabor da brisa do vento vinda dos lados da Praia de Mira.

Recordo o que um homem me disse um dia.- "Já tenho trinta e sete anos de calvário emigrado nesta França entre espinhos e saudades, pouco tempo me falta para a reforma, vou regressar de vez a Portugal..." encheu o peito de ar e continuo –"esta terra não é parra o sangue português, esta terra come-me a Vida mas não me adi comer a carne..." estas palavras (ou outras idênticas) sim da boca de milhões de imigrantes Portugueses espalhados pelos quatro cantos do mundo,(mas isto é outro assunto parra ser debatido mais tarde...)

Por aqui sigo alheio a gente que me viu no berço e por aqui sigo por entre a fumaça dos carros "perdido" por entre estes gigantes prédios , há dias que nem vejo a cor o sol.

Quando as letras encontram o papel, lá vai uma carta para alguém querido(a) e ao colocar a carta na caixa do correio , sinto os meus dedos tocarem na chapa metálica, penso! ide minhas letras de saudade inconformada desse mar azul que deixei.

Recordo cada partida carregada de quilos e quilos de esperança, que um dia me queiras de novo em teu colo "Portugal" não quero terminar longe de ti (mesmo se estas sempre presente), quando parto o meu coração fica mais escuro duque as horas mais negras da noite em lágrimas cai-me as palavras que não consigo dizer ao deixar distante cada rosto cada olhar e escuto aquelas palavras já habituais –"vens pró natal? Tem cuidado!, Vai com Deus, e adeus..." esse tal adeus que tanto dói a ouvi-lo como dói a dizê-lo, mas è assim em cada hora do adeus.

Trago comigo sempre um terço da nossa Senhora de Fátima que me foi oferecido pela minha avo, numa dessas hora de um "tal adeus", nos momentos de "aperto" as horas em que as dificuldades não avisam , ponho a mão ao bolso... e a fé permanece...

Da janela do meu quarto (8-andar) olhando ao longe o céu e imagino a minha aldeia e vejo-te Covão do Lobo. Passadas horas, dias, meses, que te deixei, será que ainda me reconheces? E se um dia o destino me atraiçoar guarda-me ao menos um metro quadrado de terra , onde eu em ti possa repousar.

Hoje será que me escutas quando eu digo Portugal oito letras de saudade..

Palavras perdidas num papel imigrante...

 

Texto de Frankelim Amaral inserido dia 22 de frevereiro 2008

frankelim(at)covaodolobo.com

 

 

 

 

 

 

03.10.07 Crónica:  Obrigado Portugal e ate pró ano.

 

     Depois de 1600 quilómetros percorridos de carro, já me encontro novamente longe, na distância ficou um mar de recordações, de amigos, de saudades e para muitos de projectos para um futuro.

      Quatro semanas passaram-se tão rápido !

      Agora recordo o sorriso que fizes-te quando me viste a chegar no princípio do mês de agosto, naquele instante a saudade deixa de existir e só um abraço deixa falar o silêncio, como é bom nos tornarmos a ver !

      Matamos saudades ou iludimos o coração, quem sabe ?

      Mas estar novamente na nossa terra natal, pisar aquele chão, sentir aquele cheiro, contemplar a natureza e tudo aquilo que não se pode explicar, tudo aquilo que nos faz tão bem ao coração, como a alma, como é bom nos sentirmos assim, vermos pessoas que já não víamos à muito tempo, enfim matarmos saudades.

      Pois é ! “Estes emigrantes” como muitos chamam não vem só para mostrar os carros novos, nem só para mostrar a vaidade, mesmo que não seja assim, há muitas pessoas que pensam assim.

      Eu penso que a maior parte dos portugueses estão emigrados porque Portugal ainda não lhes oferece uma qualidade de vida melhor ou igual àquela que o país aonde hoje estão emigrados lhes dá, muitas das vezes esses carros novos e todas essas manias que os “avecs” têem, são simplesmente o fruto do seu suar e labuta.

      Nós emigrantes que passamos onze meses fora da nossa pátria, da nossa terra, que vivemos com um pé lá e outro cá, sem sabermos realmente quem somos, sem sermos aceites pelo país que nos acolhe e sermos julgados pelos outros, sem podermos dar certas opiniões, porque “se quiserem mandar vão para o vosso país” tenho a certeza que a maioria dos emigrantes já ouviram esta frase dita contra eles, de uma maneira ou de outra.

      Mas não estou aqui para dizer um mar de lamentações, para me queichar, para me fazer passar de coitadinho, se imigrei foi porque quis, mesmo havendo emigrantes que fossem obrigados para fugir à miséria, ao fascismo, às más condições de vida para dar de comer e um futuro aos filhos, é assim que ainda hoje o dizem.

      Mas o importante é que nuca esquecemos de onde viemos, fomos e agora voltamos de férias outros de vez, alguns não puderam ir, e há deles que nunca mais irão, é duro mas é esta a realidade.

      Em meu nome e em nome de muitos emigrantes digo obrigado, obrigado Portugal, por nos tornares a receber, pelas tuas bonitas praias, pelo teu clima, pelo teu sol, pelas tuas gentes tão bem acolhedoras, pelo teu futebol, pelo teu fado, e por seres a minha pátria que jamais esquecerei.

      Até pró ano se Deus quiser.

 

Texto de Frankelim Amaral inserido dia 03 de Outubro 2007

frankelim@covaodolobo.com

 

 

 

10.02.07 Crónica:  Tempo de viver...

    

 

    Chegou o tempo em que a vida é uma ordem, as guerras, as fomes, as discussões que se realçam em bares e cafés, leva-nos a rotina apenas que a vida persiga sem rumo, mas não podemos cair nesse poço fundo e escuro.
    Em certas conversas que tenho tido, reparo que várias pessoas por pequenos problemas que a vida traz, pequenos obstáculos e que aparecem sem avisar, quando nem tudo corre como elas realmente desejavam, facilmente baixam os braços e desistem de determinados sonhos.
    Mas eu penso que derrotas todos nós temos na vida, e sobre tudo quando somos derrotados no combate dos nossos sonhos não podemos desistir, nunca podemos voltar para traz quando há tanto caminho pela nossa frente, porque nesta tal rotina a falta de tempo é que pode matar os sonhos porque nunca sabemos quando é que o nosso tempo chega ao fim, temos que viver a vida pois ela é o maior presente que Deus nos deu.
    O amor não avisa quando vai chegar, não nos diz aonde vai-nos levar e não nos conta se vai nos fazer bem ou mal, só é certo que um dia ele acontece, mais tarde ou mais cedo repare nisso.
    É preciso saber descobrir sempre o lado gostoso e nobre de cada momento de nossa vida, buscar a felicidade é uma obrigação e a própria busca deve ser um motivo de ser feliz, o que significará ser alguém grande ou pequeno, importante ou sem valor? O que importa é a grandeza do seu coração, a sua compreensão para com o próximo aceitando os seus defeitos e tentando compreender os dos outros.
    Temos de dar tempo ao tempo, deixar as coisas acontecerem, o mundo não foi feito num dia e tenho a certeza que nos nossos sonhos iremos mais longe com a paciência de um rato do que a força de um elefante.

    Constantemente a vida nos oferece obstáculos para nos pôr à prova perante nossas metas, e lá vamos dizendo-nos – oh não consigo, vai ser difícil, fica para a próxima. Não conseguimos atravessá-lo, mas porque é que não tentamos, podemos tentar saltá-lo. Para cada tentativa precisamos de ter coragem, antes de cada salto havemos de sentir algum medo! Sim porque isso é normal, muito normal mas, nada pode o homem amar mais como a si próprio. A nada pode temer mais como a si mesmo.
    Exigimos que a vida tenha um sentido - mas ela, na verdade tem muitos sentidos, bastantes mesmo, temos que aceitar cada estrada que a vida nos dá e tentar sempre que cada caminho nos leve à nossa direcção, mesmo se temos que caminhar por muitas estradas diferentes, mas qual destino?
    Tais perguntas giram todas em torno da mesma coisa: ó amor e se viver terá mesmo um sentido?
    Sim, poso dizer: quanto mais dispostos estivermos a amar e a entregarmo-nos ao amor, muito mais depressa iremos compreender o sentido da nossa vida.
    Quem é que hoje não se sente arrependido porque não levou a sério aquele sonho ou aquela ideia ou que não viveu aquele momento que passou e deixou o tempo passar e assim pensou - amanhã vou lutar por isso e aquilo, amanhã vou tentar compreender o meu amigo, amanhã vou visitar os meus pais, amanhã vou tentar compreender as rugas no rosto de minha avo, amanhã vou sorrir ao condutor do autocarro, amanhã vou...
    Amanhã vou entusiasmar-me por ideias que jamais serão levadas bastante a sério e não fazer qualquer sacrifício para um dia transformá-las em realidade, talvez sim seja isto que vou fazer... devem pensar muitos.
    Temos de ser capazes de viver cada momento, sermos capazes de nos sacrificar, anos a fio, por um objectivo, pelo sorriso de uma mulher – isto é felicidade.
    Penso que todos nos quando somos jovens, sonhamos em ser um dia alguém como por exemplo marinheiro, policia, carpinteiro, cantor ou explorador do pólo norte, mas o que mais queria mesmo era ser quando era criança, era mágico. Essa era a mais profunda, a mais acentuada inclinação de meus instintos. Eu sentia certa vontade de poder mudar o mudo quando ia para a escola e estava a chover, tanto queria que com os meus poderes mágicos poder fazer aparecer raios de sol e desaparecer com as nuvens, e já agora que era magico uma boa bicicleta para ser o primeiro a chegar à escola ... ai sonhos, sonhos onde estão os poderes mágicos que até hoje nunca os possui e nada consegui mudar, mas quem sabe se talvez estas letras possam mudar um pouquinho a vida de alguém.
    Não deixem que nada possa destruir seus objectivos, sejam felizes, porque o tempo não para...

Texto de Frankelim Amaral inserido dia 10 de Fevereiro 2007

frankelim@covaodolobo.com

 

 

 

 

 

 

16.01.07 Crónica:   Carta ao Pai Natal para o novo ano…

 

    Querido Pai Natal ! Agora que já passou natal, deve de estar muito cansado com todo o trabalho que teve, todos os kilometros percorridos, tanta criancinha que fez feliz, enquanto isso tantas outras ainda morrendo à fome, mas eu sei que o senhor Pai Natal não pode fazer nada, porque se pudesse o mundo seria um paraíso ... Somente o homem pode mudar as coisas para que essas criancinhas e muita outra gente deixarem de passar fome e discriminação,  mas para que isso aconteça no mínimo têem que acreditar no pai natal e há pouca gente que acredita nele de hoje em dia.

    Esta carta que lhe estou a escrever não é para lhe pedir chocolates, brinquedos ou jogos, mas sim para lhe fazer um pedido como desejo para este novo ano.

    Diz uma canção de natal que o Pai Natal sabe quem foi bom ou mau, o que significa que atende ou não os pedidos segundo o merecimento de cada um. Modestamente tenho sido um bom cidadão, procuro ser gentil com as pessoas, cumprimento os vizinhos, telefono pouco para os amigos, mas não quer dizer que não pense neles, não cuspo no chão, trato bem os animais, trabalho honestamente, e.t.c como muitos portugueses.

    Julgo-me, então, merecedor e assim passo aos pedidos :

    - Queria de novo acreditar na política, achava que política era um meio de resolver muitas crises e melhorar as coisas feitas, de fazer novas e boas coisas, mas isso pouco acontece em Portugal.

    - Queria que todos os portuguêses tivessem o gosto de serem portugueses, nãosó porque fomos à final do campeonato da europa e à meia-final do campeonato do mundo, mas sim poderem dizer que a economia é boa, que conseguem pagar os seus empréstimos a tempo e horas, que não passam fome, que ninguém falta à escola e que há trabalho para todos.

    - Queria também pedir que houvesse segurança, justiça, respeito, paz e muita saúde para todos.

    Pronto! Pai Natal este é o meu pedido para o ano 2007, mesmo se não poder dar tudo ao menos dé um pouco de cada a quem mais precisar.

    Beijos e abraços e um bom ano para si...

    Desculpe Pai Natal pela maneira como escrevo esta carta, mas como já não lhe escrevo há muitos anos, devo ter perdido a mão.

 

    Desejo a todos um santo e próspero ano novo 2007.

Texto de Frankelim Amaral inserido dia 16 de Janeiro 2007

frankelim@covaodolobo.com

 

 

 

 

 

08.10.06 Crónica:   VIAGEM DE TODOS NÓS...

  
    
Com o natal a chegar, vem o tempo de reflexão, de pensarmos em nós e nos outros, mas sobre tudo de pensarmos do « porque não sei ! » .
Interessante como nossa vida se pode comparar a uma viagem de comboio cheia de embarques e desembarques, surpresas, atrasos, tristezas, alegrias e lá vamos nós sem destino fixo, ou melhor com uma destinação que tantas vezes muda de rumo conforme o desenrolar dos acontecimentos e só uma coisa é certa, que todos temos a certeza de lá chegar a este fim que todos chamamos morte…
Quando nascemos embarcamos nesse comboio, normalmente somos sempre acompanhos por duas pessoas nas primeiras estações, nossos pais que lá nos vão dizendo para agarrarmo-nos bem em certas curvas para não cairmos, mas depois de certas paragens quando nós já pensamos que somos capazes de continuar sem eles, eles começam a deixarnos sozinhos, a terem confiança em nós, assim lá vamos neste comboio fora.
Durante a viagem, embarcam pessoas interessantes que  virão a ser especiais para nós. Embarcam nossos irmãos, amigos e amores. Muitas pessoas que embarcam só por ver a embarcar sem se importarem se há atrasos ou se não vão conseguir chegar a destinação certa e lá vão passando de carruagem em carruagem.
Muitos quando descem deixam saudades eternas, recordações para sempre.
Existem também pessoa que quando desocupam seus acentos, ninguém sequer percebe da sua ausência.
Alguns passageiros que nos são mais queridos, viajam em vagões diferentes, no qual somos obrigados a fazermos a viagem separados, podendo-nos encontrar em certas paragens e mudanças, por vezes atravessamos nosso vagão e chegamos até elas.
Esta viagem é assim, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques.
Façamos então esta viagem da melhor maneira possível, tentando manter um bom relacionamento com todos os passageiros, procurando em cada um deles o que têem de melhor, e tentando sempre compreender suas ideias, as razões da sua viagem.
Temos que aproveitar este bilhete no qual não está marcada a hora nem o dia em que vamos descer de uma vez por todas.
O grande mistério afinal, é que não sabemos em qual paragem descemos e fico pensando: quando eu descer deste comboio, vão sentir saudades de mim ? Sentirei eu saudades?
Deixarei meus filhos viajando sozinhos? Vou separar-me de alguns amigos que fiz durante a viagem, do amor da minha vida?
E se minha viagem passar despercebida, pelo menos que eu tenha sido uma boa companhia para alguém…

Desejo-vos uma boa viagem nesta vida e um feliz Natal.

 

Texto de Frankelim Amaral inserido dia 08 de novembro 2006

frankelim@covaodolobo.com

 

 

 

 

 

 

04.10.06 Poema:  Saudade ...

 

covão do Lobo que sempre gostei,
Ao passar a fronteira em ti pensei.
Palpita o meu coração,
Não sei qual é a razão?
Quase me ponho a chorar,
De tanta alegria por chegar à terra que me faz sonhar.
Na minha terra cheguei.
Nos meus lábios um sorriso,
Pois estou no paraíso, sem mais o querer deixar.
Os dias estão a acabar, as portas estão-se a fechar.
Sei que tenho de partir, deixando minha terra para trás com um grande aperto no coração!
Lágrimas a cair, mas sei que voltarei para o ano se Deus quiser!
Até lá espero esse dia...
Muitas saudades me vais deixar!

 

Foto e texto enviados por Sara dos Santos dia 04 de outubro 2006

saradossantos@hotmail.fr

 

 

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