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História da aldeia do Covão do Lobo

 

Apresentação :

     A multissecular Freguesia de Covão do Lobo, cujo primitivo nome era S.Salvador do Covão do Lobo ou Salvador do Mundo do Covão do Lobo como consta noutros documentos, nasceu muito antes de 1663, encravada entre as mais antigas Freguesias de Febres, do Boeiro, Covões, Bustos, Sôsa, Vagos e Mira.
     De dimensões consideráveis foi, ao longo dos tempos, sofrendo sucessivos cerceamentos: em 1965 deu-se o desmenbramento de Fonte de Angeão, com os lugares de Parada de Cima, Carvalhal, Fonte de Angeão, Gandara e Rines; em 1985 o da Freguesia de Santa Catarina com os Lugares de Andal, Estrada, Sorens, Fonte da Costa, Grou, Condes, Pardeiros, Santa Catarina ,Canas e Mesas.
     Outrora foi, esta Freguesia, pertencente a Mira, acabando esta situação em 1834.

   

 

O primeiro Pároco :

     O primeiro Pároco e também Presidente da Junta, de que há notícia, foi o vigário António da Costa Pedrosa, natural de Cortegaça, que a partir de 1856 iniciou a mudança da igreja Paroquial do lugar de Igreja Velha para a rua da Igreja, onde já existia a Capela da actual greja Paroquial, em lugar elevado, tendo um pequeno sino. Ligada esta Capela existiu a Confraria do Santíssimo, possuidora de largos bens e rendimentos, sendo extinta em 1958 e os seus haveres passaram para a Junta da Paróquia. Amudança da Igreja Paroquial deu-se em virtude de o Pároco pretender comprar um terreno para construir a sua residencia em Igreja Velha, e não o tendo conseguido, acabou por construi-la num areal que comprou em Fonte do Rei, a poente da Fonte. E como a Rua da Igreja lhe ficasse mais perto fez, para aí, a mudança da Igreja Paroquial.

     

  

A Igreja na Igreja Velha :

     A Igreja Paroquial até ao terceiro quartel do século XIX, foi no lugar de Igreja Velha, sensivelmente no local onde se encontra a Capela do Cemitério do mesmo lugar, que está, em parte, situado no ex-corpo da antiga Igreja, sendo o altar-mor a nascente do Cemitério com a torre colocada do lado esquerdo do corpo da Igreja. Tinha apenas um sino que, mais tarde, foi trazido para a actual Igreja, onde se encontra.Tanto o adro como o arrail dessa Igreja serviram de Cemitério.
     O casario ficava situado quase todo, a sul da Igreja Paroquial de Igreja Velha, ficando apenas uma casa a Norte e três a Poente do, então, caminho para Santa Catarina.
     Existia um monte, perto donde o Senhor Manuel de Jesus Neto tem a residência com o cruzeiro que foi cedido pela Junta de Paróquia à Capela de Santa Catarina. Nesse monte eram iniciadas as ladaínhas com a participação das irmandades de Covão do Lobo, Covões e Mamarrosa que, em procissão, se dirigiam para a Igreja onde era celebrada a Missa.
     A festa da Ascensão do Senhor era aí celebrada, bem como todas as outras festividades.
     Segundo a tradição, esta construção, que havia de servir de Igreja Paroquial, foi levada a efeito pelos Mouros na encosta do monte.
     Em sessão da Junta de Paróquia de dez de Fevereiro de 1856, o então Pároco e Presidente da Junta Padre Pedrosa queixa-se do "estado indecente e perigoso em que se encontra a Igreja" ameaçando a ruína a todo o momento.
     Deste modo e depois da autorização da Câmara Municipal de Vagos foi a Igreja demolida servindo, mais tarde, parte dos seus materiais para a construção da Igreja Velha.
     Acabava assim a história possível da Igreja Paroquial do lugar de Igreja Velha, cujos muros depois serviriam para o Cemitério.

  

  

A primeira Igreja Paroquial na Rua da Capela :

     Começava agora a gigantesca, para o tempo, tarefa de construir uma Igreja Paroquial na Rua da Capela, que tinha este nome por aí se encontrar a Capela do Santíssimo a que já se aludiu.
     A sua construção foi iniciada em 1856 pelo vigário António da Costa Pedrosa que elaborou todo o orçamento e materiais a empregar na sua construção.
     Por o povo andar sobrecarregado com décimas, contribuições e outros impostos foi, a obra, executada por fases e as derramas efectuadas de 10 em 10 meses.
     Na primeira fase construiu-se o altar-mor, na segunda o corpo da Igreja, na terceira os telhados e pinturas e na quarta e última a torre.
     Alguns materiais vieram da antiga residência paroquial. A pedra utilizada veio de Ança e de Outil. A telha veio, parte da Igreja antiga, para cobrir a Sacristia e o Salão, e outra parte de Salgueiro para cobrir todo o resto. Em 1878 morre o Padre Pedrosa.
     Em 1904 toda a telha foi substituida por telha Marselha.
     Os altares laterais foram construidos em 1881. A pintura das portas e paredes e colocação de vidros é feita em 1869. Os sinos, veio um da Igreja Velha, outro era da Capela do Santíssimo, o qual tendo rachado foi trocado pelo actual sino grande que foi afinado pelo som do sino rachado, isto no ano de 1900. O altar-mor e a tribuna foram comprados a um convento de Cantanhede.
     A sul desta Igreja ainda se sepultaram cadáveres, tendo sido feito um muro para os proteger dos traseuntes. Em 1880 é completa a torre e todas as obras da Igreja.

 

in Jornal Terras de Vagos de Agosto de 1986

    

  

O ensino :

     Em 1861 é pedida autorização à Câmara para funcionamento de uma Cadeira de Ensino Primário, invocando-se como razão a existência de 520 fogos na freguesia, de 450 a 500 crianças com idade até 14 anos e esta poder servir os lugares de Rio Tinto e Tabuaço, separados da Freguesia de Sôsa por um ribeiro, e os lugares de Palhal, Ponte de Vagos e Calvão da Freguesia de Vagos e Sanguinheira da Freguesia de Febres, por ser melhor caminho e mais perto.
     Só em 1883 é nomeada professora interna para a cadeira, tendo-se arrendado uma casa para habitação da professora e sala de aulas, situada em Fonte do Rei, a poente da fonte.
     Mais tarde, funcionou em edifício situado a nascente do cruzeiro do norte da Igreja.
     Em 1915 é proposto ao Governo a edificação da escola da Rua da Capela. É pedido, neste mesmo ano, um subsídio ao Ministério para a sua construção.
     Em 1916 já se encontra em construção e em 1918 conclui-se, atingindo o seu custo mil e trezentos mil reis.
 

in Jornal Terras de Vagos de Agosto de 1986

   

 

Junta de Freguesia de Covão do Lobo
3840 COVÃO DO LOBO
Telefone: 234 781106

e-mail: jfcovaolobo@sapo.pt

 

 

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