O Breu ou Pez

Entre as diferentes ocupações que preenchiam os dias à população de Covão do Lobo, até aos anos 1950, contam-se os Fornos de Breu.

A arte, ainda recordada pela população mais idosa, ocuparia sobretudo as populações dos lugares da Moita, Juncal e Cabeços.

O breu é uma espécie de resina obtida a partir da queima de cavacos. Os homens do Covão do Lobo percorriam vários quilómetros, geralmente acompanhados de um burro, para recolher os cavacos, que seriam queimados em fornos de barro a altas temperaturas. Os fornos tinham um duplo fundo, para onde escorria a resina dos cavacos, o chamado breu.

Após a combustão e por ter impurezas, a resina resultante era negra. O líquido podia depois ser guardado em barris ou ser metido em formas para solidifiar em blocos de 15 a 20 quilos.
Este produto, que era comercializado na feira da Vista Alegre e de Aveiro, servia para calefetar embarcações e envolver redes de pesca (feitas de sisal) para que estas não apodrecessem.

Da queima dos cavacos seria aproveitado, ainda, o carvão, posteriormente vendido para aumentar os proveitos económicos.

Havia vários instrumentos especificamente adaptados para a actividade, nomeadamente os rodos ou grandes pás para puxar o breu.

Como a actividade caiu em desuso, os fornos foram desaparecendo.

 

Os cavaqueiros

Os cavaqueiros eram pessoas humildes, educadas e muito trabalhadores, iam para o pinhal e alguns levavam um pequeno saco de retalhos, com broa e uma cebola ou um dente de alho, quando não tinham uma patanisca de bacalhau cru que era tão pequena que o sal não lhes fazia mal.

Trabalhavam muitas horas seguidas, as vezes com más condições climáticas, os machados eram muito pesados, porque eram feitos especialmente para eles. Eram homens que raramente adoeciam, porque não comiam em excesso, eram musculados de peles morenas castigadas pelo tempo.

O que tinham melhor era ar que respiravam, ar puro e saudável, a água bebiam baixados sobre a nascente. Tinham por hábito beber aguardente, (era só para aquecer).

Mas também lhes dava mais energia, quando se juntavam aos domingos com o seu fato domingueiro, alguns usavam uma pena de pavão na fita do chapéu, ou um pequeno ramo de manjerico, ou limonête ou um simples malmequer.

Bebiam uns tintos com os amigos, em sinal de amizade e respeito uns pelos outros.

Aos domingos é que eles tinham mais tempo para contar as suas histórias, como não havia televisão, as pessoas davam mais atenção umas as outras, eles contavam as suas histórias e experiências de vida.

Normalmente quando estavam na taberna, a pessoa que os atendia ao escutar tantas vezes acabava por se envolver, também vivia um pouco com eles as suas tristezas ou as suas alegrias, ficará para sempre na memória de quem conviveu de perto com eles, a saudade e a lembrança das suas histórias e da sua imagem.

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